
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Tarifas de Energia
Elétrica aprovou, nesta segunda-feira, o relatório final do deputado
Alexandre Santos (PMDB-RJ). No texto, a CPI recomenda que o Ministério
Público investigue todos os ex-superintendentes e ex-diretores da
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que não cumpriram a
quarentena de 12 meses sem trabalhar na iniciativa privada após
deixarem os seus cargos na Aneel. Eles devem ser investigados também
pelo crime de tráfico de influência. O texto, no entanto, não faz
referência a nomes.
Em seu relatório, Alexandre Santos afirma que “existe uma relação, no
mínimo, promíscua, entre ex-dirigentes da Aneel e as empresas do
mercado”. O presidente da CPI, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE),
sustenta que alguns dos ex-dirigentes autorizaram reajustes da ordem de
30% nas tarifas de energia e depois foram trabalhar nas empresas
beneficiadas.
Informação sobre prejuízos
Dirigentes da Aneel deverão ser investigados porque o órgão se recusou
a atender a um requerimento de informação da CPI — que pediu, à
agência, a relação dos valores cobrados indevidamente dos consumidores
pelas concessionárias de energia desde a assinatura dos contratos.
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apresentada à CPI
revelou que, desde 2002, houve prejuízo aos consumidores da ordem de R$
7 bilhões devido a falhas na metodologia de cálculo das tarifas de
energia.
Alexandre Santos informou que os consumidores terão os valores
devolvidos por meio de ações judiciais: "Estamos entregando cópias do
relatório ao Ministério Público e ao TCU, que têm nos ajudado muito.
Eles terão que tomar as medidas cabíveis em defesa do consumidor.”
Em linhas gerais, o relatório explica que a definição dos preços da
energia é feita com base nos custos das distribuidoras e no número de
consumidores. A tarifa, no entanto, é definida no início do contrato e,
na época dos reajustes, o cálculo não leva em conta o aumento no número
de usuários. “A distorção ocorre quando a demanda do mercado de energia
cresce. A metodologia das distribuidoras não consegue capturar ganhos
obtidos em função do crescimento do mercado”, esclarece Santos.
Perdas
Além de pagar pela falha da metodologia da Aneel, o consumidor também
ressarce todos os tipos de perdas de energia das distribuidoras – tanto
perdas técnicas como comerciais são repassadas às tarifas.
Levantamentos do TCU indicam que os repasses de perdas para os
consumidores são de cerca de R$ 4,7 bilhões anuais.
Na interpretação da CPI, ao permitir esse repasse a Aneel agiu como
representante das distribuidoras. “Há indícios claros de que a atuação
da Aneel foi deliberada no sentido de repassar todos os riscos do
serviço de distribuição aos consumidores, aumentado com isso a margem
de lucro dos concessionários”, afirma o texto.
Diante disso, a CPI propôs que o Ministério das Minas e Energia
informe, em 30 dias, qual política o governo vai adotar para que os
valores cobrados indevidamente sejam devolvidos aos consumidores. O
texto recomenda que em 60 dias a Aneel desenvolva mecanismos para
realizar o pagamento.
Agência Câmara
Foto: Diógenis Santos